quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O poeta morre. A obra nasce.

Torno fácil o impossível, difícil é publicá-lo,
porque um esforço deste nível tenho de tê-lo subterrado.
Tesouro escondido, caderno fechado a cadeado
e só a minha morte poderá servir de chave.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

sábado, 22 de agosto de 2015

Acordares súbitos a meio da noite resultam em sexo com a insónia.
O café e o cigarro são sempre meus cúmplices no que toca a matar tédios.
O amanhecer cumprimenta-me sempre, pronto a oferecer-me um dia de vida, mas como acordo mal disposto nunca respondo.
Por isso, enquanto morro, poemas escrevo.

LEGO

Palavras soltas expandem-se na dimensão do quarto,
e eu vou as seleccionando enquanto construo frases,
estruturas peça a peça, pareço um gaiato
entretido a construir um Mundo com as palavras que tem juntado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Vivo como se tivesse num jogo de poker onde aposto amor e, tenho arrecadado belos potes de ódio.
A loucura e a lucidez fazem corridas para ver qual a primeira a chegar ao meu pensamento.

Sempre quis ter um jardim, mas nunca tive motivação para cuidar de um.
Então, resolvi falar com uma antiga amiga e ainda me lembro do que lhe disse:
"- Traz a tua foice, e caso tenhas mais algum instrumento que seja útil em jardins, traz também e vem-me fazer companhia a tratar do meu."
Admiro a vida que a morte traz ao meu jardim, só que invejo os jardins dos ladrões de flores.
Ela apercebeu-se disso e disse-me:
"- Entende que o que conta não é a beleza do teu jardim, mas sim a naturalidade. Olha para o teu e vê que o que tens é tudo semeado e, não plantado. Todas as raízes que possuís são de origem. Agora pensa em semear uma árvore e não deixes que nenhum ramo apodreça, mas para isso, escolhe o local mais fértil para pores essa semente."