sábado, 22 de agosto de 2015

Acordares súbitos a meio da noite resultam em sexo com a insónia.
O café e o cigarro são sempre meus cúmplices no que toca a matar tédios.
O amanhecer cumprimenta-me sempre, pronto a oferecer-me um dia de vida, mas como acordo mal disposto nunca respondo.
Por isso, enquanto morro, poemas escrevo.

LEGO

Palavras soltas expandem-se na dimensão do quarto,
e eu vou as seleccionando enquanto construo frases,
estruturas peça a peça, pareço um gaiato
entretido a construir um Mundo com as palavras que tem juntado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Vivo como se tivesse num jogo de poker onde aposto amor e, tenho arrecadado belos potes de ódio.
A loucura e a lucidez fazem corridas para ver qual a primeira a chegar ao meu pensamento.

Sempre quis ter um jardim, mas nunca tive motivação para cuidar de um.
Então, resolvi falar com uma antiga amiga e ainda me lembro do que lhe disse:
"- Traz a tua foice, e caso tenhas mais algum instrumento que seja útil em jardins, traz também e vem-me fazer companhia a tratar do meu."
Admiro a vida que a morte traz ao meu jardim, só que invejo os jardins dos ladrões de flores.
Ela apercebeu-se disso e disse-me:
"- Entende que o que conta não é a beleza do teu jardim, mas sim a naturalidade. Olha para o teu e vê que o que tens é tudo semeado e, não plantado. Todas as raízes que possuís são de origem. Agora pensa em semear uma árvore e não deixes que nenhum ramo apodreça, mas para isso, escolhe o local mais fértil para pores essa semente."


Sou uma guitarra com apenas uma corda, limitado a tocar sempre o mesmo som.
As palavras são como putas, umas caras, outras baratas,
mas com todas se faz poesia.
Sou o livro na estante que ninguém lê.
Sou também o último cigarro do maço de alguém que deixou de fumar.
Sou o pássaro que se soltou da gaiola, mas que tem deficiência nas asas.
Por fim, sou a dor de um masoquista restrito da dor.
Esqueço-me sempre de que sou esquecido.
Só não me esqueço de que sou desconfiado e então toda a vez que sigo um caminho, vou deixando armadilhas para não ser perseguido.
Mas esqueço-me de que todos os meus caminhos vão dar a becos sem saída, o que me obriga a voltar para trás, esquecido, acabando por cair nas minhas próprias armadilhas.
Será burrice ou algo propositado?

Eu tinha resposta para isso, mas esqueci-me.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Nó(s)

Nós temos um laço eterno, um laço impossível de desatar, mas,
espera... não é um laço, é um nó(s).

Robotizado

Sou tão vazio que nem sirvo para o tráfico de órgãos.
Sinceramente nem sei qual é a minha função, já nem tristeza sei sentir,
é como se tivesse compactuado numa lobotomia em que me fossem retiradas as partes do cérebro responsáveis pelas emoções,
o que é triste, sinto que é triste não saber sentir tristeza.
Talvez eu seja só uma máquina desenvolvida para produzir arte,
arte que produza desenvolvimento nas restantes máquinas comuns,
e arte que me torna uma máquina auto-suficiente, autónoma, pois a minha alimentação/combustível é o que escrevo.
O meu coração é robotizado e, cada vez que bombeia, não bombeia sangue, mas sim poesia.
Talvez o meu trabalho seja dar cor a uma Terra pálida,
onde quebrar regras é uma merda válida,
seja as da sociedade, politicas, judiciais, jurídicas,
só sei que as da sociedade todos podem quebrar, as restantes só compradas.
Acho que tenho também a estúpida função de elaborar planos utópicos, que os engenheiros analisam e rejeitam.
Nesta fábrica que é o Mundo, máquinas como eu ganham pó, ganham pó porque os engenheiros decidem que não valem a pena estarem ligadas porque nas suas perspectivas as nossas funções são dispensáveis.
Pena que muitas máquinas como eu trabalham uma vida inteira sem retorno, que é o meu caso, muitos artistas morrem para que os vendados idolatrem falsos cantores de metal, rock, pop, qualquer estilo, que deixam de sê-lo no final dos concertos.

Artista não é um momento, é uma forma de vida.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Pensamento de criança, sonho de um poeta

Acho que vou encher milhares de balões e, cada um com um poema meu,
misturá-los com hélio para que todos os balões possam subir,
e,
quando rebentarem, irá chover em todo o Mundo a minha poesia.
Esta sim é a melhor forma de espalhar poemas.
Poemas Lançados ao Vento.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Poemas Lançados ao Vento

Respiro Morte.
Inspiro dor. Expiro poesia.
Lanço poemas ao Vento,
como se fossem aviões de papel, pois os seus vôos são efémeros.
Ausente de sentimentos: só sinto ausências,
que ainda assim me fazem fazer mares de lágrimas para mergulhar no meu vazio.
Sou uma cidade deserta, um dia habitada,
hoje contemplada por turistas pelas suas ruínas,
como se a minha tristeza fosse a alegria dos outros,
noutra perspectiva,
como se o meu mistério fosse a atracção dos outros.
Sempre ouvi dizer que não se julga um livro pela capa,
mas uma biblioteca julga-se pelas estantes,
e eu,
sou uma biblioteca,
só que vazio, abandonado,
tudo o que eu era, levaram.
A vida seria doce demais, ao ponto de enjoar, sem a amargura que me trás a suposta esquizofrenia,
mas,
ela tornou-se tão amarga que já nem sinto a doçura da vida.
Por isso, vivo ao sabor do vento.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Perto de lá chegar

Neste preciso momento,
o meu pensamento segue na direcção certa,
segue no passeio sem olhar para trás,
sempre em frente,
mas,
de vez enquando não resiste em se desviar para algumas esquinas.

Pensamentos que me perseguem

Vivo como se tivesse a atravessar um vale numa ponte podre, já a ruir,
com leões famintos por baixo de mim.
E agora penso: será que vale a pena atravessá-la?
Sim, vale.
Estou em perigo de vida neste lado,
sou perseguido por, nem eu sei bem pelo quê, mas sei que estou a ser,
e,
para sobreviver, até a vida ponho em risco,
porque não tenho muitas hipóteses: morro, ou morro a tentar ou salvo-me.
E caso consiga passar para o outro lado, irei cortar estas cordas que mantêm a ponte firme,
para que quando estes perseguidores estiverem nela,
ter o prazer de vê-los serem devorados pelos belos leões,
e claro, para não voltar a ser perseguido.
Mas eu sei que demónios em todo o lado estão,
mas pelo menos,
poderei dormir descansado por uns tempos sem ter de abrir o olho de minuto a minuto.

A noite é a minha tela

A noite vem, pena ser passageira
e com o pouco tempo que ela fica acho que nem chega para convencê-la
a ficar na demora. E onde mora? Em qualquer rua.
Irei tornar-me nómada, sempre a seguir a lua.
Um pouco obsessivo, mas a luz do dia encandeia
... da depressão nasce uma reacção em cadeia,
surgem maus pensamentos, que dão origem a comportamentos
pouco ou nada produtivos. Reproduzimos instrumentos,
eu e a tristeza, harmonia perfeita.
Peço à noite que se dispa para a poesia ser feita.

domingo, 9 de agosto de 2015

Canibal deixado à fome

Não há pior destino para um canibal do que acabar sozinho.
Acabo assim por devorar a minha própria carne.
Mas inteligentemente pensando, cortei apenas uma perna para que consiga sobreviver.
Entretanto, penso em navegar na selva, em busca de carne humana,
não para saciar a fome, mas sim alimentar-me de companhia.
Nunca me hei de sentir perdido, desde que tenha sempre algo para procurar.
Mas, fui burro (como sempre). Cortei uma perna e agora como é que eu me desloco?
Agora... agora fico à espera de encontrar sem procurar.
Podia construir um engenho do tipo, uma bicicleta para pedalar com as mãos,
mas para isso acontecer, teria de me mover para achar os materiais.
Por isso, vou ficar aqui, à espera.
(...)
Certo dia acordei.
Acordei e estava uma rapariga sentada à minha beira,
enquanto me contemplava.
Mal abri um olho, ela soltou a primeira pergunta:
- O que é que te aconteceu à perna?
Eu, para esconder os meus demónios e para a impressionar disse:
- Estava esfomeado, tentei caçar um tigre e, consegui! O pior fora os outros felinos que apareceram depois.
Ela, admirada, chocada e emocionada, contou também a sua história.
(...)
Pelo que ela me contou, só restava eu e ela. Mas isso era algo praticamente impossível de saber, pois a selva era gigante e quem sabe se na outra ponta não estaria alguém a viver a mesma história que a nossa. Acho que ela só me disse aquilo para eu nunca a deixar.
E eu nunca a deixei... até um errado dia.
Com ela fui feliz, como nunca havia sido nesta selva.
Ensinou-me coisas novas, aprendi até a alimentar-me de tudo o que aqui fosse comestível, menos carne humana, claro.
Fodemos em 69 sítios diferentes da selva, em 69 posições, deixámos de lado o KamaSutra e fizemos o nosso SelvaàBruta, porém foram as fodas mais românticas da minha vida, onde o chocar rítmico dos corpos, juntamente com os gemidos dela e os pássaros a cantarem, criavam uma harmonia sonora.
Vivemos intensamente durante 13 meses,
até chegar o tal inesperado dia, por não saber quando chegaria; mas já esperado, pois eu sabia que um dia havia de não resistir.
O meu instinto foi mais forte que eu e, acabei por devorar a minha companheira, começando pelo coração.
É triste, mas esta é a minha triste realidade.

Vou acabar sozinho e sei que não durarei muito tempo.

Optimismo

Para mim, ser optimista é pensar que se me atirasse para um vulcão cheio de lava,
que morreria afogado.

sábado, 8 de agosto de 2015

A Verdade

A voz da razão é muda.
Aqui, quem for de palavra, sofre de censura.
E é por isso que existem manicómios, onde estão tantos malucos,
que o sistema rotulou... pois eles mudavam o Mundo!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A noite chega

A noite chega.
O sonho acorda.
A cascata de pensamentos flui.
O relógio, que acelerado,
tende a avariar depois de acertado
e, devido a falta de paciência e persistência,
decidi parar o tempo.
Pois o tempo é temporário, liberdade é antónimo de horário.
Umas horas para a poesia,
quando sem namorada, reservo umas para a pornografia,
outras para a tristeza,
que espremo até à última gota de inspiração.
O poeta morre. A obra nasce.
A boa música disfarça-se
e, só bons ouvidos conseguem vê-la.
Os quadros do quarto com palhaços já não me fazem rir. (Fariam, se eu me risse da minha cara.)
A luz é melhor companhia quando ausente.
Os transportes do futuro irão levar-nos ao passado!
A escrita leva-me
e, se a escrita me leva,
apesar de no tempo ter parado, pela lógica, avancei.
A bebida faz-me erguer o queixo, mas logo o baixo depois de dar um gole. 
Não sei o que tenho mais desarrumado, se o quarto, se a cabeça.
Mas à noite, o monstro sai da caverna, para viajar nas suas ideias.
Escrevo.

O relógio pergunta-me de quanto tempo preciso para voltar a repará-lo.
E eu respondo:
- A noite chega.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Felicidade

Cada verso que escrevo,
é um degrau que construo para atingir a tua varanda.
Ingrata felicidade,
quando perto estou de te alcançar, tu, sua puta, sobes um andar.
Desisti.
Mas vou voltar,
camuflado,
e
como adolescente que (já não) sou,
é natural ter tendência a espiar-te (de binóculos) pela pequena janela da tua casa de banho,
onde solitária te despes, te masturbas, te vens,
e tu sabes que eu te observo e é esse o teu maior prazer,
teres orgasmos sem comigo os partilhares.
És uma puta autêntica.
Fazes com que o meu corpo seja uma folha,
e esta lâmina uma caneta,
eu sou um poema.

sábado, 1 de agosto de 2015