A noite chega.
O sonho acorda.
A cascata de pensamentos flui.
O relógio, que acelerado,
tende a avariar depois de acertado
e, devido a falta de paciência e persistência,
decidi parar o tempo.
Pois o tempo é temporário, liberdade é antónimo de horário.
Umas horas para a poesia,
quando sem namorada, reservo umas para a pornografia,
outras para a tristeza,
que espremo até à última gota de inspiração.
O poeta morre. A obra nasce.
A boa música disfarça-se
e, só bons ouvidos conseguem vê-la.
Os quadros do quarto com palhaços já não me fazem rir. (Fariam, se eu me risse da minha cara.)
A luz é melhor companhia quando ausente.
Os transportes do futuro irão levar-nos ao passado!
A escrita leva-me
e, se a escrita me leva,
apesar de no tempo ter parado, pela lógica, avancei.
A bebida faz-me erguer o queixo, mas logo o baixo depois de dar um gole.
Não sei o que tenho mais desarrumado, se o quarto, se a cabeça.
Mas à noite, o monstro sai da caverna, para viajar nas suas ideias.
Escrevo.
O relógio pergunta-me de quanto tempo preciso para voltar a repará-lo.
E eu respondo:
- A noite chega.
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