quinta-feira, 30 de julho de 2015

Psi Com Pata de Poeta

Caixa craniana aberta,
deliciado a ver o filme que é a minha vida
enquanto devoro partes do meu cérebro como se fossem pipocas.
Mastigo estas ideias com sabor a agridoce,
não as engulo,
cuspo-as,
para depois sim degustá-las,
acompanhadas pelo chique cocktail de sangue e fluído vaginal.
Agora,
de cabeça vazia,
encho-a de larvas, baratas, traças.
Fecho-a.
Consigo ouvir o zumbido que estes bichos fazem cá dentro.
Enfio dedos no nariz para tentar chegar ao crânio
e amenizar a comichão que sinto,
... mas não consegui.
Então pensei como um génio,
deixei crescer as unhas,
cravei-as nos olhos, (cheias de sujidade),
arranquei-os,
escavei até chegar ao local desejado
e agora sim, consegui coçar-me.
E agora, agora o que é que eu faço aos olhos?
Penso que irei enfrascá-los para de seguida oferecê-los à mulher da minha vida.

Mas antes, tenho algo a fazer,
terei de ir ao cemitério,
deixar crescer ainda mais as unhas
desenterrar o amor que eu matei.
Sempre lutei com unhas e dentes,
agora com unhas gigantes e,
cada gota de suor não foi em vão,
durante este tempo todo,
fui guardando todas elas em frascos e,
hoje tomei o primeiro banho da minha morte.

No meio disto tudo, a conclusão que tiro é de que poderia ter aberto novamente a cabeça e tirar de lá a bicharada, mas como já é natural, escolho sempre o caminho mais difícil.

Vê-me aqui doente crónico com as minhas porcarias
e,
hoje sou o vómito das minhas teorias.

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