A noite vem, pena ser passageira
e com o pouco tempo que ela fica acho que nem chega para convencê-la
a ficar na demora. E onde mora? Em qualquer rua.
Irei tornar-me nómada, sempre a seguir a lua.
Um pouco obsessivo, mas a luz do dia encandeia
... da depressão nasce uma reacção em cadeia,
surgem maus pensamentos, que dão origem a comportamentos
pouco ou nada produtivos. Reproduzimos instrumentos,
eu e a tristeza, harmonia perfeita.
Peço à noite que se dispa para a poesia ser feita.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
domingo, 9 de agosto de 2015
Canibal deixado à fome
Não há pior destino para um canibal do que acabar sozinho.
Acabo assim por devorar a minha própria carne.
Mas inteligentemente pensando, cortei apenas uma perna para que
consiga sobreviver.
Entretanto, penso em navegar na selva, em busca de carne humana,
não para saciar a fome, mas sim alimentar-me de companhia.
Nunca me hei de sentir perdido, desde que tenha sempre algo para
procurar.
Mas, fui burro (como sempre). Cortei uma perna e agora como é que
eu me desloco?
Agora... agora fico à espera de encontrar sem procurar.
Podia construir um engenho do tipo, uma bicicleta para pedalar com
as mãos,
mas para isso acontecer, teria de me mover para achar os
materiais.
Por isso, vou ficar aqui, à espera.
(...)
Certo dia acordei.
Acordei e estava uma rapariga sentada à minha beira,
enquanto me contemplava.
Mal abri um olho, ela soltou a primeira pergunta:
- O que é que te aconteceu à perna?
Eu, para esconder os meus demónios e para a impressionar disse:
- Estava esfomeado, tentei caçar um tigre e, consegui! O pior fora
os outros felinos que apareceram depois.
Ela, admirada, chocada e emocionada, contou também a sua história.
(...)
Pelo que ela me contou, só restava eu e ela. Mas isso era algo
praticamente impossível de saber, pois a selva era gigante e quem sabe se na
outra ponta não estaria alguém a viver a mesma história que a nossa. Acho que
ela só me disse aquilo para eu nunca a deixar.
E eu nunca a deixei... até um errado dia.
Com ela fui feliz, como nunca havia sido nesta selva.
Ensinou-me coisas novas, aprendi até a alimentar-me de tudo o que
aqui fosse comestível, menos carne humana, claro.
Fodemos em 69 sítios diferentes da selva, em 69 posições, deixámos
de lado o KamaSutra e fizemos o nosso SelvaàBruta, porém foram as fodas mais
românticas da minha vida, onde o chocar rítmico dos corpos, juntamente com os
gemidos dela e os pássaros a cantarem, criavam uma harmonia sonora.
Vivemos intensamente durante 13 meses,
até chegar o tal inesperado dia, por não saber quando chegaria;
mas já esperado, pois eu sabia que um dia havia de não resistir.
O meu instinto foi mais forte que eu e, acabei por devorar a minha
companheira, começando pelo coração.
É triste, mas esta é a minha triste realidade.
Vou acabar sozinho e sei que não durarei muito tempo.
Optimismo
Para mim, ser optimista é pensar que se me atirasse para um vulcão cheio de lava,
que morreria afogado.
que morreria afogado.
sábado, 8 de agosto de 2015
A Verdade
A voz da razão é muda.
Aqui, quem for de palavra, sofre de censura.
E é por isso que existem manicómios, onde estão tantos malucos,
que o sistema rotulou... pois eles mudavam o Mundo!
Aqui, quem for de palavra, sofre de censura.
E é por isso que existem manicómios, onde estão tantos malucos,
que o sistema rotulou... pois eles mudavam o Mundo!
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
A noite chega
A noite chega.
O sonho acorda.
A cascata de pensamentos flui.
O relógio, que acelerado,
tende a avariar depois de acertado
e, devido a falta de paciência e persistência,
decidi parar o tempo.
Pois o tempo é temporário, liberdade é antónimo de horário.
Umas horas para a poesia,
quando sem namorada, reservo umas para a pornografia,
outras para a tristeza,
que espremo até à última gota de inspiração.
O poeta morre. A obra nasce.
A boa música disfarça-se
e, só bons ouvidos conseguem vê-la.
Os quadros do quarto com palhaços já não me fazem rir. (Fariam, se eu me risse da minha cara.)
A luz é melhor companhia quando ausente.
Os transportes do futuro irão levar-nos ao passado!
A escrita leva-me
e, se a escrita me leva,
apesar de no tempo ter parado, pela lógica, avancei.
A bebida faz-me erguer o queixo, mas logo o baixo depois de dar um gole.
Não sei o que tenho mais desarrumado, se o quarto, se a cabeça.
Mas à noite, o monstro sai da caverna, para viajar nas suas ideias.
Escrevo.
O relógio pergunta-me de quanto tempo preciso para voltar a repará-lo.
E eu respondo:
- A noite chega.
O sonho acorda.
A cascata de pensamentos flui.
O relógio, que acelerado,
tende a avariar depois de acertado
e, devido a falta de paciência e persistência,
decidi parar o tempo.
Pois o tempo é temporário, liberdade é antónimo de horário.
Umas horas para a poesia,
quando sem namorada, reservo umas para a pornografia,
outras para a tristeza,
que espremo até à última gota de inspiração.
O poeta morre. A obra nasce.
A boa música disfarça-se
e, só bons ouvidos conseguem vê-la.
Os quadros do quarto com palhaços já não me fazem rir. (Fariam, se eu me risse da minha cara.)
A luz é melhor companhia quando ausente.
Os transportes do futuro irão levar-nos ao passado!
A escrita leva-me
e, se a escrita me leva,
apesar de no tempo ter parado, pela lógica, avancei.
A bebida faz-me erguer o queixo, mas logo o baixo depois de dar um gole.
Não sei o que tenho mais desarrumado, se o quarto, se a cabeça.
Mas à noite, o monstro sai da caverna, para viajar nas suas ideias.
Escrevo.
O relógio pergunta-me de quanto tempo preciso para voltar a repará-lo.
E eu respondo:
- A noite chega.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Felicidade
Cada verso que escrevo,
é um degrau que construo para atingir a tua varanda.
Ingrata felicidade,
quando perto estou de te alcançar, tu, sua puta, sobes um andar.
Desisti.
Mas vou voltar,
camuflado,
e
como adolescente que (já não) sou,
é natural ter tendência a espiar-te (de binóculos) pela pequena janela da tua casa de banho,
onde solitária te despes, te masturbas, te vens,
e tu sabes que eu te observo e é esse o teu maior prazer,
teres orgasmos sem comigo os partilhares.
És uma puta autêntica.
Fazes com que o meu corpo seja uma folha,
e esta lâmina uma caneta,
eu sou um poema.
é um degrau que construo para atingir a tua varanda.
Ingrata felicidade,
quando perto estou de te alcançar, tu, sua puta, sobes um andar.
Desisti.
Mas vou voltar,
camuflado,
e
como adolescente que (já não) sou,
é natural ter tendência a espiar-te (de binóculos) pela pequena janela da tua casa de banho,
onde solitária te despes, te masturbas, te vens,
e tu sabes que eu te observo e é esse o teu maior prazer,
teres orgasmos sem comigo os partilhares.
És uma puta autêntica.
Fazes com que o meu corpo seja uma folha,
e esta lâmina uma caneta,
eu sou um poema.
Subscrever:
Mensagens (Atom)